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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 32950381

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Calvário (Calvary)

Teoricamente, todo o conceito de sacerdócio da igreja católica, faz de seus padres símbolos de bondade, caridade e obediência divina. Infelizmente, a realidade é bem diferente. Dia após dia provas de inúmeros desvios de conduta daqueles que se dizem servos do senhor ganham os noticiários, sendo estes na maioria casos de pedofilia.


Na história de Calvário, conhecemos então o padre James, um sacristão verdadeiramente honesto, devemos ressaltar. Certo domingo, durante uma confissão, ele recebe um ultimato: vai morrer em sete dias (no próximo domingo para ser mais exato). Sua morte inocente pagará os pecados de outros padres culpados, algo justo para o suposto assassino, que quando foi vítima também era inocente.

Aproveitando então este polêmico pano de fundo, a obra tece uma relevante análise do comportamento moralmente decadente, depressivo e carente de significados de parte de nossa sociedade moderna. Um retrato mórbido de como o ser humano pode se perder pelo caminho de maneira irremediável, independente da esfera social ou clero que pertença, do abuso que tenha sofrido ou adversidade que tenha enfrentado.

Pois bem, diante da ameaça de morte, cada dia do padre James ganha mais valor. Conforme a semana passa, o mesmo continua fiel à suas habituais missões pessoais, e é assim que conhecemos os personagens do pequeno vilarejo irlandês em que a história acontece. Estas são pessoas amarguradas, sórdidas, solitárias, libertinas, arrogantes, perturbadas. Uma coleção de atributos forçosamente detestáveis e deprimentes, que exemplificam as vastas possibilidades da condição humana. E para o público, todos são prováveis suspeitos da tal ameaça de morte.

A direção e roteiro são de John Michael McDonagh, autor que tem no currículo o também atípico e transgressor O Guarda. Tecnicamente, Calvário se apoia na complexidade de seus personagens, todos cínicos e honestos na medida exata. A equipe de atores escalada para a produção é extraordinária, com destaque para Brendan Gleesson, interpretando o padre protagonista James. O experiente ator empresta sua forte personalidade para o irmão atribulado, passeando perfeitamente entre melancolia e uma espécie de humor dissonante, mas ainda sim funcional.

No final, Calvário não é uma obra especificamente de cunho religioso, nem sobre pedofilia ou perversidades irlandesas. Na verdade, este é um estudo visceral sobre a desilusão humana, uma concepção carregada de um fatalismo pragmático assustador. Existem alguns sinais de esperança no contexto, evidenciados pela tentativa de redenção da personagem Fiona, filha que James teve antes de optar pela batina. Mas no geral, a desconfortável mensagem que fica é algo como "bem-vindo a este inexorável círculo de confusão e dor... puxe uma cadeira". Recomendado.

por Ronaldo D'Arcadia

Calvário/ Calvary: 2014/ Irlanda, Reino Unido / 100 min/ Direção: John Michael McDonagh/ Elenco: Brendan Gleeson, Chris O'Dowd, Kelly Reilly, Aidan Gillen, Dylan Moran, Isaach De Bankolé, M. Emmet Walsh, Domhnall Gleeson

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A Onda (Die Welle)

Baseado em uma história real, "A Onda" nos apresenta fatos sólidos de como uma ideologia pode impregnar valores e costumes de pessoas normais

Em 1967, em Palo Alto Califórnia, o professor de história Ron Jones fez um experimento com seus alunos: ele impôs uma ambientação do nazismo em sua classe, tudo seguia os padrões do partido. O projeto durou uma semana e causou diversos problemas. Anos depois, baseado na história de Jones, o autor Todd Strasser (sob o pseudônimo Morton Rhue), produziu o livro de ficção "A Onda", no qual este filme de Dennis Gansel se baseia. Mas o diretor também tomou suas liberdades poéticas com o tema, adaptando os eventos para dias atuais e transportando tudo para a Alemanha, onde a obra de Strasser é leitura obrigatória nas escolas.

No filme somos apresentados a Rainer Wenger (Jürgen Vogel), sujeito de personalidade forte e também ótimo professor. Logo no início, acompanhando os créditos, já podemos perceber toda rebeldia contida no indivíduo, que, enquanto dirige rumo ao trabalho, canta freneticamente a clássica "Rock 'N' Roll High School" dos Ramones. Ele estaria prestes a iniciar um pequeno projeto já tradicional da escola, em que cada professor aborda diferentes formas de governos em suas classes. 

Tendo a duração de apenas uma semana, a "brincadeira" se finaliza na sexta feira, quando vídeos são feitos, palestras e argumentos são expostos, e o tema é discutido, visando assim ampliar a compreensão dos alunos sobre o assunto em questão. Para Wenger, restam apenas os governos autocratas, como o nazismo e o fascismo. Ele então, meio de supetão, começa a já citada experiência visceral, que termina de forma trágica.
É muito interessante analisarmos um fato ocorrido nos EUA sendo adaptado para o cinema na Alemanha. Claramente, devemos relembrar a licença poética do diretor Gansel – também roteirista –, que transportou toda personalidade da juventude alemã, a forma de ensino e os costumes de seu povo, de forma brilhante para o tema.

O fascismo, nazismo, ou "A Onda" – como eles se autodenominam – se apresenta de forma envolvente, e isso é mostrado através da visão dos jovens que mais se afeiçoam ao sistema. Apenas os pontos positivos são relevados em um primeiro instante: todos se mostram mais obedientes em casa, respeitosos, melhoram a postura física em sala de aula, o que possibilita uma melhor circulação sanguínea e assim uma melhor pronúncia de sentenças, que devem ser curtas e coesas, proferidas de pé, e por aí vai. No filme, tudo isso ocorre de forma muito natural, não há discussão, o projeto é respeitado pelos alunos, que entram na onda.

E com essa união os excluídos fazem amizades, são protegidos pelos seus iguais contra o inimigo comum (nesse caso, a turma que pegou o tema anarquia, que fica exatamente abaixo da sala deles). Os populares se sentem invencíveis e por aí vai novamente. Aparentemente tudo que os rebeldes querem é disciplina, pois em um mundo tão vazio de significados, fazer parte de alguma coisa, de alguma família,  pode ser perigosamente tentador.
Eles então se tornam reais, criam logo tipo, myspace, websites, adotam uniforme e um cumprimento padrão. Tudo isso a pedido do professor, que inicialmente encara de forma ingênua a transformação dos jovens, sem perceber que aquilo também está afetando seu comportamento. Mas afinal, qual o problema? Os pais dos garotos teceram elogios já nos primeiros dias, a diretoria apoiava a didática. E tudo ocorre muito rápido. Em uma semana A Onda nasce e morre.

Um dos personagens centrais do filme é Marco, interpretado por Max Riemelt. Marco é o soldado alemão perfeito: atleta, não é burro, mas não faz questão de ser mais do que isso. Ele namora a bela Karo, vivida pela jovem atriz Jennifer Ulrich. Karo é uma das mais inteligentes da turma, mas traz problemas pessoais típicos de jovens tentando se encontrar. Ela apresenta um comportamento sutilmente egocêntrico, caraterizado por um ar de irritante superioridade, e com o início da Onda, onde todos se saem bem, ela acaba sendo deslocada do grupo. 

Percebendo que aquilo não é uma coisa normal,  Karo se coloca contra a Onda, e é aí que todos os sentimentos se misturam, principalmente para o público. Todos sabem que este "ismo" é prejudicial, todos sabem que Karo está certa, mas sua personalidade, entendida como superior, unida a ingenuidade dos outros alunos, nos faz escolher lados, despertando então o fascista em todos nós. A relação de Karo e Ulrich é o termômetro para a platéia. É através deles que vemos como as coisas vão se afastando de uma brincadeira para algo sério.

E sendo talvez o mais simbólico personagem do filme, temos Tim Stoltefuss, interpretado por Frederick Lau. Tim é a vitima do "sistema", de todos eles. Garoto reprimido, vê na Onda o significado de sua vida, e começa a enlouquecer com isso – coisa que acontece às pencas por aí (entenda-se neonazistas e skinheads). Mas o drama no caso de Tim é tocante. Tudo que ele queria era fazer parte de um grupo, e isso A Onda lhe ofereceu. Nada poderia lhe tirar essa sensação.
Toda a equipe de atores é excelente, desde o time principal até os coadjuvantes. O diretor conseguiu tirar tudo deles, a entrega foi máxima, diria até perturbadora, mas sem credibilidade a obra seria em vão. Gansel acerta em praticamente todas suas escolhas na direção. Fotografia impecável, cenas bem estruturadas, texto profundo e bem argumentado. A edição é contemporânea, carregada de elementos pop, muitas cores. O vermelho que Karo resiste em usar diante do branco adotado por todos é simbólico e bonito de se ver.

No final, "A Onda" apresenta os primeiros passos na construção de algo imperfeito por natureza, pois apesar de toda sua evidente coesão como grupo, apesar de todas as melhorias percebidas (superficialmente) por pais e mestres, existe aquela fresta no sistema, a célula que muda tudo: a intolerância, a impossibilidade de A Onda viver sem o ódio e a segregação. O principal motivo do professor Wenger – assim como Jones na vida real – de iniciar este processo perigoso foi devido aos argumentos dos alunos que diziam não conseguir entender como tantos alemães foram coadjuvantes de algo tão terrível. A obra nos mostra que ideologias como essa estão acima de seu povo, e que, no final, todos acabam inocentados diante desta hipinótica corrente mental. Já esquecer é outra história.

Os últimos minutos do longa são com certeza seu ponto forte. O ator Jürgen Vogel se despe de forma inacreditável na cena em questão, proferindo falas inimagináveis. Acompanhando estes diálogos finais, todos os personagens despertam de um torpor, entendendo finalmente a ténue linha entre o que é certo e errado, o que é humano e o que é depravado. Agora, se você assistir tudo isso e não despertar... então está com problemas.
A Onda/ Die Welle: Alemanha/ 2008/ 107 min/ Direção: Dennis Gansel/ Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt, Jennifer Ulrich, Christiane Paul
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domingo, 25 de outubro de 2015

Lore

"Lore" explora as crenças do alemão nazista no recente período pós-guerra. 
Conduzido e roteirizado de maneira impecável pela australiana Cate Shortland, "Lore" oferece um diferenciado ponto de vista sobre a Segunda Guerra Mundial, e mais especificamente sobre o nazismo.

A história conta a peregrinação da jovem alemã Lore, que após ser "abandonada" por seus pais - membros do partido de Hitler e fortemente envolvidos com os ideais do exército -, foi obrigada a atravessar parte da Alemanha em busca de refúgio, e isso levando seus quatro irmãos menores com ela, sendo um deles uma criança de poucos meses de vida.

Através de argumentos reflexivos, ofertados de forma bastante clara pela diretora Shorthland, podemos perceber a tênue linha que separava (na época) o fanatismo do nazista patriota, daqueles que apenas apoiavam seu país (e consequentemente seu Führer) em um conflito mundial. O povo alemão, que com o fim da guerra não pertencia a lugar nenhum - mesmo dentro de suas próprias casas -, observava incrédulo a verdade por trás das atrocidades de Hitler. Para muitos, aquele massacre divulgado por meio de fotos era uma mera montagem dos americanos. 

Mas para Lore tudo culminou em uma experiência perturbadora. A pobre garota simbolicamente representa a parcela da população alemã que, de certa forma, se mantinha (ou era mantida) alienada à guerra. A bela menina de olhos azuis, quando saiu para seu verdadeiro calvário, ainda era uma criança, que pensava não gostar de judeus porque seus pais assim lhe ensinaram - no entanto seus valores e sentimentos são fortemente testados quando a mesma é auxiliada por um sobrevivente dos campos. 

No final, descobrir e vivenciar todos estes podres de sua nação, durante uma trajetória exaustivamente cruel, e por um local que se tornara praticamente sem lei, foi algo intenso, doloroso e visceral. Altamente recomendado.

Lore: Alemanha, Austrália, Reino Unido/ 2012/ 109 min/ Direção: Cate ShortlandElenco: Saskia Rosendahl, Nele Trebs, André Frid, Mika Seidel, Kai-Peter Malina, Nick Holaschke, Ursina Lardi, Hans-Jochen Wagner

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sábado, 24 de outubro de 2015

Transtorno Orgástico Feminino

Transtorno Orgástico Feminino (anterior Orgasmo Feminino Inibido).
A característica essencial do Transtorno Orgástico Feminino, pelo DSM.IV, é um atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo, após uma fase normal de excitação sexual. De modo geral, as mulheres apresentam uma ampla variação no tipo e/ou na intensidade da estimulação que leva ao orgasmo. O diagnóstico de Transtorno Orgástico Feminino deve fundamentar-se no fato de que, nesse transtorno, a capacidade orgástica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e adequação da estimulação sexual que recebe.

Para esse diagnóstico exige-se também que a perturbação esteja causando acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. A Disfunção Orgástica é a queixa sexual feminina mais comum e pode ser mais freqüente nos primeiros anos de atividade sexual (ou do casamento).

A capacidade de ter orgasmos na mulher parece aumentar com a experiência sexual e aí se incluem as mulheres mais maduras. Aqui também os fatores psicológicos implicados são extremamente variáveis. Estes, vão desde os medos da perda de controle, medo de frustrar as expectativas do parceiro, falta de boa comunicação com o parceiro, depressão emocional, complexos íntimos e conflitos pessoais.

O orgasmo, também chamado de clímax, é a sensação de gratificação marcado por sentimento de repentino e intenso prazer que segue à um estado fisiológico de excitação sexual, é também seguido por um relaxamento das tensões sexuais e dos músculos do corpo.

Freud afirmava que as mulheres teriam dois tipos de orgasmo, o clitoriano, importante para o desenvolvimento sexual e, se exclusivo, poderia significar imaturidade, e orgasmo vaginal, uma decorrência do primeiro e muito característico de maturidade sexual. Inúmeros pesquisadores mais recentes evidenciaram que o orgasmo clitoriano é muito mais freqüente, surgindo tanto por manipulação quanto por penetração e que, sendo de boa qualidade, ou seja, satisfatório, não evidencia nem imaturidade, nem quaisquer outros eventuais problemas.

Já o orgasmo vaginal, menos freqüente, depende de fatores ligados ao desenvolvimento psico-sexual da mulher e da qualidade do relacionamento afetivo em questão. Talvez seja por isso que Freud julgava-o característico da maturidade sexual, menos impulsivo e mais sublime. Este tipo de orgasmo, por ser mais afetivo e menos anatômico, nem todas as mulheres podem ter, e as que têm, nem sempre o têm sempre. Pesquisadoras que já experimentaram os dois tipos de orgasmo consideram o tipo vaginal muito mais gratificante.

Apesar do orgasmo normalmente durar apenas alguns segundos, na maioria das vezes não mais de dez, depois disso a estimulação continuada pode produzir mais orgasmos adicionais na mulher. Portanto, elas são fisicamente capazes de ter orgasmos repetidos, sem a necessidade do tradicional período de recuperação necessário aos homens. Nestes, após um orgasmo não há mais resposta à estimulação sexual e não se consegue alcançar outra fase de excitação antes de decorrido um certo período de tempo.

Tendo em vista o fato da capacidade orgástica em mulheres aumentar com a idade, o Transtorno Orgástico Feminino costuma ser mais prevalente em mulheres mais jovens. A maioria dos sexólogos afirmam a necessidade de algumas mulheres "aprenderem" a ter orgasmo e, uma vez aprendido a atingir o orgasmo, tal como andar de bicicleta, uma mulher raramente perderá esta capacidade.

Está claro que os componentes emocionais do cotidiano, a qualidade de relacionamento com o parceiro, o histórico sexual, as frustrações e revezes afetivos influem na capacidade orgástica. Portanto, a menos que haja a interferência de uma fraca comunicação sexual, conflitos no relacionamento, uma experiência traumática (por ex., estupro), um Transtorno do Humor ou uma condição médica geral, há grande probabilidade da mulher comum e anorgasmática vir a ter orgasmos com o passar do tempo. Quando a disfunção orgástica ocorre apenas em certas situações, uma dificuldade com o desejo sexual ou com a excitação sexual freqüentemente estão presentes, além do transtorno orgástico. Muitas mulheres aumentam sua capacidade orgástica, à medida que experimentam uma maior variedade de estimulação e adquirem maior conhecimento sobre seus próprios corpos.

Caso você se identifique com esses sintomas, procure ajuda de um profissional de saúde.
Para tratamento de Transtorno Orgástico Feminino ou Ausência de Orgasmo em Campinas, utilizo Psicoterapia corporal Reichiana, Hipnose e Regressão.


Orgasmo Obrigatório

Na década de 60, as mulheres lutaram por liberdade sexual, por ter direito ao prazer e por se emanciparem da repressão da família e da sociedade. Parece que deu certo, e deu certo até demais. 

Hoje, tanto as mulheres quanto os homens, são quase intimados a apresentar um bom desempenho na cama e a ter uma vida sexual obrigatoriamente ativa. É a revolução sexual às avessas.

Não ter vida sexual ativa, e bem ativa, passou a ser sinônimo de fracasso. Depois de dizer adeus aos preconceitos, às proibições, à repressão sexual, a sociedade parece viver numa espécie de ditadura do sexo.

Um exemplo disso é a obrigatoriedade do orgasmo, principalmente no caso das mulheres. Muitas fingem que chegaram ao ápice do prazer só para não correrem o risco de perder o parceiro, de serem consideradas mutiladas sexuais. As pessoas vivem querendo ser uma espécie de atletas na cama como, se estivessem participando de uma disputa onde o mais feliz será aquele mais permissivo, libidinoso, descontraído e sexualizados.

Quando a pessoa não consegue ter o desempenho esperado, tanto homens quanto mulheres, acabam se sentindo obrigatoriamente deprimidos, infelizes e frustrados. Essa baixa auto-estima se mostra mais contundente quanto mais a pessoa se queixa publicamente desses seus "defeitos".

O problema talvez seja o modelo e parâmetro culturalmente estipulado para que a pessoa se sinta feliz, independentemente dos próprios princípios, gostos, crenças e valores. Quem não obedece o modelo divulgado por certas "novelas" deve se sentir frustrado, retrógrado e infeliz.

Depois de muito tempo de repreensão da sexualidade, as pessoas, principalmente as mulheres, decidiram virar a mesa e o sexo com mais liberdade. O problema é que partiram do proibido diretamente para o obrigatório e o que era para ter sido uma revolução sexual, virou ditadura.

Na tentativa de se adaptar a tanta modernidade, surgem os conflitos pessoais. Muitas vezes, as pessoas adotam comportamentos que vão contra o que desejam, ou seja, acabam fazendo o que devem (culturalmente) de forma emancipada daquilo que desejam de fato. Ou acabam desejando aquilo que não devem. Antigamente as mulheres eram coagidas a permanecerem virgens até o casamento mas hoje, a adolescente que ainda não perdeu a virgindade é questionada pelas amigas e até ridicularizada.

Mas nem todas as pessoas cedem a essa pressão cultural externa. Para aqueles que aderem à obrigatoriedade da vida sexual ativa e cheia de orgasmos, porque de fato é isso que querem, não há problemas. Aqueles que não são, em suas intimidades, sexualmente ávidos mas têm determinadas características de personalidade que as levam a ter um comportamento excessivamente preocupado com o que se espera delas, ou excessivamente preocupado com o que vão pensar delas, a possibilidade de terem conflitos é maior.

As pessoas muito preocupadas em terem desempenho sexual de acordo com os padrões vigentes, na verdade, se acostumam a atender uma cobrança não apenas externa, da cultura, mas também interna, de sua própria ansiedade em satisfazer as expectativas dos demais.

Caso você se identifique com esses sintomas, procure ajuda de um profissional de saúde.
Para tratamento de Frigidez ou Desejo Sexual Hipoativo em Campinas, utilizo Psicoterapia corporal Reichiana, Hipnose e Regressão.
Fonte: Veja ed. 1692- 21/03/2001

Frigidez ou Desejo Sexual Hipoativo Feminino

"Sinto-me cobrada na cama. Finjo prazer ou me queixo de dor de cabeça."

Cada vez mais as mulheres procuram ajuda quando sentem-se desmotivadas sexualmente. Buscam apoio em amigas, profissionais da área de saúde, como psiquiatras, psicólogos ou mesmo ginecologistas. Raramente abrem-se com seus parceiros por se sentirem ameaçadas na estabilidade de seus relacionamentos. 

Muitas vezes, adotam a velha postura de "luta ou fuga". Ou seja, ou combatem o seu problema insistindo na relação sexual, mesmo não prazerosa, fingindo deleite e orgasmo, (o que deixa o parceiro de fora da realidade e excluído como apoio), ou fogem do contato sexual como o "diabo foge da cruz", queixando-se de dores de cabeça, cansaço e irritação, (evitando o apoio do parceiro, que geralmente sente-se rejeitado). 

Muitas vezes o problema é deslocado para o companheiro, encarado como o "inimigo", responsável pela perda do desejo. A depressão é uma conseqüência freqüente e o desajuste conjugal é o passo seguinte. 

Mas o que é isso?
Chamamos de Desejo Sexual Hipoativo (DSH) a esse transtorno sexual que acomete, em média, 35% da população brasileira. Caracteriza-se por uma diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas e de desejo de ter atividade sexual. Há dificuldades no envolvimento com o parceiro, pois este queixa-se de falta de intimidade ou reciprocidade.

E diminui por quê?
Vários fatores podem determinar o DSH. Dentre os fatores orgânicos, devemos dar atenção a desequilíbrios hormonais. O aumento de prolactina, a diminuição de testosterona ou de estrogênio, podem causar uma baixa importante da motivação sexual. Várias medicações já estão disponíveis para lidar com esses problemas, como os hormônios de reposição ou drogas que restituem o equilíbrio hormonal.

Quando há infecções na vagina ou nódulos, a melhora destes quadros, com tratamento apropriado (antibióticos, analgésicos, lubrificantes, tratamento cirúrgico), restaura o desejo sexual.

Outro grande fator de diminuição do desejo é a depressão. Quadros de intensa tristeza e sentimentos de menosvalia acabam com o apetite sexual. O tratamento desses transtornos com antidepressivos pode restaurar o prévio desejo sexual. Infelizmente, grande parte dessas medicações pode provocar efeitos colaterais sexuais a curto e a longo prazo, como diminuição do desejo, impotência, retardo da ejaculação e anorgasmia. Por essa razão, o tratamento de depressão deve ser ministrado e acompanhado pelo psiquiatra. Existem algumas medicações que podem ser prescritas como "antídotos" para esses efeitos colaterais sexuais. Dessa forma, a pessoa pode se beneficiar do tratamento para depressão, sem prejudicar sua vida sexual.

Os fatores sociais e psicológicos têm muito peso no Desejo Sexual Hipoativo.
A forma de criação das mulheres nos países ocidentais, com muita repressão e influências culturais negativas no que tange à sexualidade, trouxe profundas conseqüências para a vida sentimental e sexual feminina. A mulher não é tão estimulada a se ver, a se tocar e a se conhecer sexualmente quando comparada ao homem. Educava-se para não permitir que a sexualidade feminina viesse à tona. Após a revolução sexual dos anos 60, houve uma tentativa de inversão desses valores. No entanto, busca-se ainda hoje um meio termo, um equilíbrio para a real identidade feminina.

É comum o conflito entre ser uma mulher maternal e também sexual, como se fossem funções incompatíveis. As queixas de baixa libido e depressão não são raras após o parto. O casal pode começar a se desajustar mesmo durante a gravidez. A mulher passa a se ver e a ser vista como um ser idolatrado, puro, destituído de atrativos sexuais. Passa a negar o lado sexual em prol de ser mãe.

Situações traumáticas de abuso sexual, mensagens anti-sexuais durante a infância, culpas, comportamento sedutor por parte dos pais, dificuldade em unir amor com sexo em si mesma (esposa X prostituta), raivas entre o casal e competição temida com o pai ou mãe, entre outras, são fontes de baixa libido nas mulheres.

Possíveis soluções:
O DSH é uma das disfunções mais difíceis de se tratar, pois geralmente acomete o indivíduo por longos anos, dado que as pessoas resistem muito em procurar ajuda. É freqüentemente originado por fatores psicossociais, sendo os raros casos de organicidade encaminhados para especialistas.

Grande parte das mulheres pode beneficiar-se de reeducação sexual, visando a informação e a permissão sexual. Ou seja, muitas mulheres não aprenderam a se aceitar sexualmente e a se conhecer, devendo passar por um processo de reeducação sexual a nível de consultório. É o que chamamos de terapia cognitivo-comportamental.

Outras apresentam problemas mais profundos de auto-estima, de culpas e de repressões. Para esses casos, a psicoterapia de orientação analítica e/ou o psicodrama podem ajudar significativamente.

Caso você se identifique com esses sintomas, procure ajuda de um profissional de saúde.
Para tratamento de Frigidez ou Desejo Sexual Hipoativo Feminino em Campinas, utilizo Psicoterapia corporal Reichiana, Hipnose e Regressão.
Fonte: ABC da saúde 

Disfunção Erétil - Impotência

Acredita-se que, de modo geral, as causas da impotência são 70% dos casos ocasionados por problemas psicológicos.

A Disfunção Erétil, antes conhecida por impotência, é a incapacidade de se obter ou manter uma ereção adequada para a prática da relação sexual.  Não deve ser confundida com a falta ou diminuição no "apetite sexual", nem como dificuldade em ejacular ou em atingir o orgasmo.

Milhões de homens no mundo passam por esse problema da impotência sexual e as estatísticas mostram uma incidência de até 5% nos homens de 40 anos e até 25% nos de 65 anos. De modo geral, quase todos aqueles que são sexualmente ativos já experimentaram um episódio de impotência pelo menos uma vez na vida.

De qualquer forma o ser humano teme muito qualquer tipo de Impotência Sexual, qualquer rebaixamento em seu desempenho sexual e esse medo tem grande base cultural. Isso provavelmente porque a impotência sempre foi um assunto cercado de muitos tabus.
Mas, o que realmente significa a impotência? De modo geral podemos dizer que a Impotência Sexual é uma disfunção sexual que incapacita o homem a obter ou manter a satisfação sexual. 

Alguns urologistas acreditam que, de um modo geral, as causas da impotência são 70% dos casos ocasionados por problemas psicológicos, assim distribuídos: 95% dos casos atinge pessoas com 20 anos, 70% aos 48 anos, 30% entre os 60 e 70 anos. Os restantes 30% dos casos seriam decorrentes de problemas orgânicos.

Seja qual for sua natureza, orgânica ou psicológica, a Impotência Sexual costuma ter cura e, obviamente, o primeiro passo para a cura será um diagnóstico correto. Um dos exames realizados para estes diagnósticos é a eletroneuromiografia, ou teste de intumescência peniana noturna, realizada com auxílio de um equipamento denominado Rigiscan, em laboratórios de sono.

Como todo homem tende a ter ereção dormindo, esse aparelho mede a qualidade e a quantidade da ereção durante o sono. A grosso modo, se as ereções espontâneas noturnas forem satisfatórias, isto significa fortemente que o distúrbio tem fundo psicológico. Outro recurso usado para o diagnóstico é o Duplex scan ou ecodopler peniano, um equipamento usado para medir o fluxo arterial do pênis e identificar eventuais obstruções.

Não se sabe exatamente por que ocorrem as ereções noturnas e matinais. Determinados especialistas sugerem que o paciente tome sucessivos copos de água antes de deitar, para ver se acorda com ereção na manhã seguinte, atestando assim a origem emocional da impotência queixada. Este método dá certo porque a bexiga cheia provoca um estímulo nervoso reflexo que favorece a ereção.

Desejo Sexual 

O desejo sexual é um fenômeno subjetivo e comportamental extremamente complexo. Contribuem para a gênese do desejo sexual as fantasias sexuais, os sonhos sexuais, a iniciação à masturbação, o início do comportamento sexual, a receptividade do companheiro(a), as sensações genitais, as respostas aos sinais eróticos no meio ambiente, entre outros fatores.

Muito ao contrário do que pensam alguns, o desejo sexual do ser humano adulto e consciente não se compara à simples pulsões fisiológicas, como é o caso da fome ou da sede. Considera-se que o desejo sexual seja um complexo vivencial formado por três componentes principais; a biologia, a psicologia e a socialização. Todos três interagindo continuamente uns com os outros.

1 - Impulso Sexual

O desejo sexual que se experimenta no corpo e que estimula a atividade sexual mais ou menos independente da estimulação externa, provavelmente é o resultado da ativação das redes neurais do sistema nervoso central e será percebido como Impulso Sexual, vulgarmente definido pela palavra "tesão". Trata-se pois, de um aspecto predominantemente biológico do desejo sexual.

Esse Impulso Sexual corpóreo é fruto de processos neuro-endócrinos envolvendo hormônios e neurotransmissores, os quais permitem à pessoa reconhecer essa pulsão e se masturbar ou, de outra forma, procurar avidamente alguém para ter relações sexuais.

A força e freqüência das manifestações desse Impulso Sexual aumentam muito após a puberdade e, em muitos casos, surge um certo desconforto na falta de oportunidade de ter atividade sexual efetiva. Mas, é bom ressaltar sempre, esse Impulso Sexual tem força de atuação muito pessoal e ocorre diferentemente entre as diferentes pessoas.

Pessoas com grande Impulso Sexual costumam procurar mais tenazmente oportunidades de comportamento sexual e podem sentir-se mais calmos após um orgasmo. Pessoas com baixo Impulso Sexual podem passar com facilidade períodos de abstinência sexual sem sentir irritação. Após a maturidade sexual da juventude, bem como no adulto jovem, as manifestações do Impulso Sexual vão diminuindo gradativamente, até desaparecerem quase completamente na velhice.

As manifestações comuns desse Impulso Sexual, tanto no homem como na mulher, se caracterizam por determinadas sensações genitais, pela sensibilidade erótica aumentada em relação à parceiros em potencial, por exacerbação das fantasias sexuais e pelo comportamento sexual mais evidente.

2 - Motivação Sexual 

A Motivação Sexual é o aspecto psicológico do desejo sexual e a Aspiração é o aspecto sócio-cultural do desejo. Como vimos acima, as manifestações do Impulso Sexual são características e pessoais em cada pessoa. A Motivação Sexual é um determinante muito mais importante na freqüência de nossa atividade sexual do que a o Impulso Sexual, ela representa a vontade de comportar-se sexualmente e implica na iniciativa, na receptividade ou nas duas coisas.

Motivação Sexual é, portanto, a vontade de aproximar-se de outra pessoa com intenções sexuais, a vontade de tomar iniciativa ou receber a iniciativa da outra. Trata-se de um atributo psicológico por excelência. Podem haver situações onde existe o Impulso Sexual biológico mas, mesmo assim, não há Motivação Sexual para iniciar o comportamento sexual. Na depressão, por exemplo, principalmente em seu estágio inicial, pode estar comprometida muito mais a Motivação Sexual que o Impulso Sexual.

Participa da Motivação Sexual a avaliação íntima do(a) parceiro(a). Sendo positiva a avaliação do(a) parceiro(a), havendo facilidade para intimidade psicológica, a vontade da pessoa de ter comportamento sexual é intensificada e persistente. Na afeição amorosa o Impulso e a Motivação Sexual podem coexistir e se somam.

Quando o parceiro é avaliado de forma negativa e a intimidade psicológica não é estabelecida, quando há sentimentos de mágoa, decepção e incompreensão, normalmente perde-se a Motivação Sexual. As decepções da vida conjugal são as fortes responsáveis pela perda da Motivação Sexual, muito embora a pessoa frustrada possa continuar sentindo as manifestações de seu Impulso Sexual. Essa é a fórmula mais eficaz para a traição conjugal.

Para que um casal continue a ter relações sexuais de índole amorosa, é preciso que suas identidades sexuais não sejam conflitantes. Nas intimidades da cama o casal deve partilhar a mesma tonalidade sexual. Muitas pessoas perdem a Motivação Sexual porque não se sentem à vontade com gênero do sexo do(a) parceiro(a). É por isso que alguns casais manifestam reciprocamente um grande apreço, um pelo outro, mas são sexualmente insatisfeitos.

No ser humano maduro a vontade de ter relacionamento sexual sempre reflete algum tipo de apreço pelo parceiro e o sentimento de compatibilidade sexual. A análise de fatores psicológicos como esses ajuda a explicar grande parte dos problemas de falta Motivação Sexual na população e como as manifestações de Impulso Sexual podem ser diminuídas.

3 - Aspiração Sexual 

A última dimensão do desejo sexual, sua parte social, repousa na Aspiração Sexual. Historiadores, sociólogos, filósofos, teólogos e antropologistas lembram que a vida sexual também sofre a influência de forças culturais, as quais muitas vezes são mais importantes do que os aspectos biológicos ou psicológicos.

Em algumas culturas o sexo ainda é considerado algo pecaminoso, algo que deve ser combatido constantemente, que deve ser repudiado... Muitas pessoas assim influenciadas passam a reprimir seus desejos e experimentar situações fortemente conflitivas, com uma grande plêiade de conseqüências emocionais.

Aspirações Sexuais brotam da conjunção entre razões psicológicas e circunstâncias culturais. Elas se compõem de nosso dinamismo psíquico colocado à mercê dos valores culturais solidamente impressos em nossa personalidade. Elas variam em temática e potência entre as pessoas, vão desde os auto-enganos que impomos a nós mesmos sobre nossas vidas sexuais, perdendo a noção entre o culturalmente recomendado e o pessoalmente possível, até as questões ditas de consciência, as quais reprimem sentimentos e comportamentos por toda a vida. Essas idéias fazem parte do processo de socialização da pessoa desde tenra idade até sempre.

A Disfunção Erétil pode ocorrer apesar de desejo sexual e da capacidade de orgasmo e ejaculação normais. Qualquer doença, medicação ou condição que afete o processo de ereção peniana normal pode provocar a disfunção.

A Disfunção Erétil é mais estreitamente associada com a idade; no entanto não deve ser aceita como uma conseqüência do envelhecimento. Muitas doenças, medicamentos e condições psicológicas ou orgânicas afetam a resposta normal do pênis e podem estar implicadas no desenvolvimento da disfunção.

Causas Orgânicas de Disfunção Erétil 
Alguns fatores orgânicos que podem provocar a Impotência Sexual são doenças vasculares que causam entupimento das artérias e veias, prejudicando a chegada do sangue ao pênis, também as patologias que comprometem o sistema nervos, como por exemplo a Diabetes, a falta do hormônio masculino testosterona, que começa a declinar a partir dos 45 anos de idade, ou mais raramente distúrbios como o priapismo (ereção continuada por muito tempo), o qual pode causar a coagulação do sangue dentro do corpo cavernoso, levando à impotência irreversível. A impotência orgânica pode ainda ser decorrente de rompimento da estrutura peniana, uma espécie de fratura do pênis por algum acidentes.

Outro problema vascular associado à Disfunção Erétil é a insuficiência veno-oclusiva, situação que ocorre quando o corpo cavernoso se enche de sangue mas não distende o bastante para comprimir as veias contra a parede do pênis. Com isso, o sangue não é represado no pênis o suficiente para garantir a ereção. Também as assimetrias do corpo cavernoso, decorrentes de má formação congênita podem contribuir para a impotência, bem como o fumo, o álcool e alguns medicamentos, todos apontados como prováveis causadores da Disfunção Erétil.

As Alterações Hormonais que produzem diminuição dos níveis normais de testosterona do sangue, podem inibir a ação do estímulo sexual no cérebro do homem, diminuindo o seu interesse pelo sexo. Já está amplamente divulgado por vários trabalhos médicos, que a testosterona não atua nos mecanismos de obtenção ou manutenção na ereção.
Alterações Arteriais 

As Alterações Arteriais são as mais freqüentes dentre as causas orgânicas e dizem respeito ao estreitamento das artérias, conseqüentemente diminuindo o fluxo do sangue no pênis. Se o sangue não entra com a pressão adequada no pênis a ereção fica irremediavelmente comprometida. A arteriosclerose costuma obstruir significativamente as artérias do pênis. Esta situação de oclusão circulatória é também comum na hipertensão arterial, no aumento do colesterol, no stress, nos fumantes e nos diabéticos.

A ansiedade, através do aumento nos níveis de adrenalina no sangue, proporciona a contração da musculatura lisa do pênis e também das artérias penianas, impedindo que ocorra a ereção. O envelhecimento também produz um enrijecimento dos tecidos do corpo esponjoso e também da musculatura lisa do pênis, dificultando a ereção.

Diabete

O Diabete é uma das causas mais comuns de disfunção erétil. Os diabéticos, devido às lesões vasculares e nervosas produzidas pela doença, têm maior chance de desenvolver a impotência. A alteração neurológica da Diabete (neuropatia), incidindo sobre o pênis leva à uma diminuição na velocidade de condução dos impulsos elétricos pelo pênis a qual, juntamente com as alterações vasculares também produzidos por essa doença, resultam em quadros de séria disfunção erétil. A incidência de Disfunção Erétil entre os diabéticos está entre 50 a 60% dos pacientes com mais de 50 anos.

Hipertensão Arterial

O próprio tratamento da hipertensão arterial pode ter, pela ação dos medicamentos utilizados, a disfunção erétil. A Hipertensão Arterial não tratada, por sua vez, também facilita e acelera a deposição de gordura nas paredes das artérias, endurecendo-as tal como no processo da arteriosclerose. As artérias penianas são muito finas e qualquer estreitamento pode ser suficiente para prejudicar o fluxo sangüíneo necessário à ereção.

A própria performance sexual acanhada já é suficiente para, através de um ciclo vicioso, proporcionar mais Disfunção Erétil. Havendo alguma demora para se completar a ereção, alguns pacientes experimentam séria ansiedade, dificultando mais ainda o mecanismo da ereção.

Medicamentos

Alguns medicamentos podem ser causa de Disfunção Erétil em qualquer idade e, calcula-se, a incidência desse tipo de disfunção é de 25%. As drogas que mais freqüentemente prejudicam a ereção são o fumo, o álcool e a maconha. Dentre os medicamentos, os anti-androgênicos usados nos tratamentos de tumores malignos da próstata são aqueles mais comprometedores, seguidos pela finasterida, também usada na hipertrofia da próstata e para crescer cabelo, beta-bloqueadores, descongestionantes, metil-dopa, bloqueadores dos canais de cálcio usados na hipertensão arterial, tranqüilizantes, sedativos, cimetidina usado na úlcera péptica, e a digoxina para insuficiência cardíaca. Existem várias outras substâncias e medicamentos igualmente nocivos à ereção.

Causas Emocionais

Uma vez excluídas as causa orgânicas, a ansiedade, juntamente com a insegurança e ao medo de não cumprir direito o seu papel podem levar o homem a não conseguir a ereção, principalmente os jovens. O homem é culturalmente educado para ser "macho" e sua auto-estima pode estar diretamente ligada a sua capacidade sexual. Por isso, o próprio medo do fracasso faz descarregar na corrente sangüínea grande volume de adrenalina, hormônio secretado pela glândula supra-renal que ativa certos neurotransmissores e inibe outros, entre os quais aqueles responsáveis pelo mecanismo da ereção.

Em pessoas mais maduras a deficiência de ereção também pode estar relacionada a dificuldades em criar vínculos afetivos com a parceira ou ainda a conflitos intrapsíquicos. A liberação da mulher moderna também assusta homens mais maduros e contribui para o aumentar sua insegurança.

A impotência causada por problemas psicológicas, especialmente na faixa etária entre os 35 e 40 anos, também pode ser conseqüente às crises existenciais, comuns nessa idade. Trata-se de uma fase de reavaliação da vida, da profissão, do casamento... Há maior risco de se desenvolver um quadro depressivo. Atualmente um dos fatores importantes na inibição da ereção tem sido o medo de se contrair AIDS.

De qualquer forma, psicologicamente falando, o temor, o medo e a ansiedade, são as grandes causas das dificuldades da ereção. A desinformação sexual também pode ser considerada a grande inimiga da performance sexual do homem moderno. Normalmente o cidadão comum é pleno de mitos e crenças distorcidos de nossa cultura. Vimos essas questões ao tratarmos das "Aspirações Sexuais", logo acima. Normalmente e paradoxalmente, é o medo de falhar que faz com que o homem falhe e quanto maior for o medo, mais facilmente o homem ficará impotente.

Culturalmente estimula-se o temor do homem ser rejeitado se não apresentar uma ereção rápida e eficiente tão logo seja solicitada. Homens mais maduros querem ter a mesma qualidade e rapidez de reação erétil que tinham aos 20-25 anos. Por mais boa vontade que tenham é irrefutável o fato de que, à medida que aumenta a idade, tornam-se diferentes as condições dos sistemas nervoso e do aparelho circulatório. Além disto, aumentam as exigências na qualidade dos estímulos com o passar dos anos.

Também os fatores externos e conjunturais capazes de levar ao estado conhecido legalmente por Esgotamento, tais como o desemprego, as dívidas, a falta de dinheiro, a insegurança social e familiar, enfim, as razões que colocam a pessoa em continuado estado de alerta e estresse, também podem afetar a ereção, principalmente do ponto de vista da Motivação Sexual. O Estresse é a doença do homem moderno e acomete praticamente todas as pessoas que lidam com algum tipo de responsabilidade profissional. 

Pode ser causa de Disfunção Erétil em homens de qualquer idade, agindo sozinho ou acompanhando alguma patologia. O stress é das principais causas de disfunção erétil entre os homens que operam no mercado financeiro.

Outro fator agravante da função sexual no homem brasileiro é o verdadeiro pavor que sente de submeter-se à terapia sexual, psicológica ou, simplesmente, de discutir o problema com profissionais adequados. Culturalmente as pessoas têm medo de serem tomados por loucos, por fracos ou masculinamente incompetentes, preferindo acreditar que seu mal é de origem orgânica, vai passar com o tempo, que uma injeção milagrosa ou operação será a salvação do problema.

A Depressão emocional, através de seu sintoma básico e universal que é a perda da capacidade de sentir prazer (anedonia), tem sido a maior responsável pelas queixas de impotência por Disfunção Erétil ou mesmo por Ejaculação Precoce.

Causas Mistas

Na prática urológica, um pouco diferente da prática psicológica, a grande maioria dos pacientes apresenta uma causa orgânica associada à uma causa psicológica. Qualquer homem com Disfunção Erétil, jovem ou idoso, fica preocupado com o seu desempenho sexual. De modo geral, todo paciente com alguma Disfunção Erétil tem algum fator psicológico associado, seja como causa da disfunção ou como conseqüência. Tanto faz ser o diabético, o hipertenso ou qualquer outro paciente. Junto com doença principal, haverá também o medo e a expectativa de ter que conviver com a impotência. A preocupação excessiva que a pessoa tem em relação à sua performance sexual também é causa comum de Disfunção Erétil, principalmente se o homem já começar a relação achando que vai falhar ou que não vai conseguir satisfazer sua parceira.

No momento em que o paciente tem uma patologia que leva a impotência, quase sempre se soma à esta patologia o fator emocional que contribui para agravá-la ainda mais. O medo que qualquer homem experimenta ao passar por um ou mais fracassos sexuais provoca nele uma enorme sensação de inferioridade com um impacto psicológico que o acompanha 24 horas por dia. Com isso, advém também problemas de relacionamento familiar, matrimonial, profissional, financeiro, social, etc

Caso você se identifique com esses sintomas, busque a ajuda de um profissional de saúde. Para tratamento de Disfunção Erétil e Impotência Sexual em Campinas: utilizo Psicoterapia Corporal Reichiana, Hipnose e Regressão.    

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O complexo materno no homem.

Há casos em que o complexo materno tem uma influência velada, não sendo caracterizados como um desvio patológico propriamente dito, sua atuação é percebida de diversas formas e em diferentes fases da vida do homem, atrapalhando, senão impedindo, o seu relacionamento consigo mesmo e com outras pessoas.

O complexo materno que é a idéia de mãe carregada de afetividade existe em todos nós. O experimentamos como a necessidade de carinho, proteção e ligação. Se a experiência inicial que temos na vida, através da relação primal, for satisfatória e atender estas necessidades sentiremos que a vida é algo bom e que seremos amados e protegidos sempre. Se a nossa primeira experiência não foi boa, vamos nos sentir desligados de tudo e sem raízes.

A influência mais acentuada do complexo materno não solucionado, no homem, é a dificuldade que este encontra em relacionar-se com sua anima.
A anima é o arquétipo do relacionamento interno, ou seja, é responsável pelo contato do ego com o mundo interno e a qualidade deste contato determinará qual vai ser a qualidade do relacionamento do homem com o mundo externo, com as outras pessoas. Como vimos, no capítulo I, é também, o arquétipo que representa o lado feminino no homem mas sua a principal função, segundo Jung, é a de instrumentar o homem, quando reconhecida, para seu autoconhecimento conduzindo-o no seu inconsciente, promovendo a relação entre seu ego e seu mundo interno. Portanto, o reconhecimento da anima é um fator decisivo do processo de individuação.

Mas afinal o que a anima significa na vida do homem? Porque é um arquétipo tão importante na psicologia masculina? A anima é a alma do homem, é o que lhe dá vida, é o que dá profundidade à sua existência, dá-lhe sabedoria, paixão e vontade de viver. É alma, porém não no sentido religioso que conhecemos e tentamos de todas as maneiras salvá-la das garras do inferno após a morte. A anima poderá ser o próprio inferno na vida de um homem ou poderá ser seu verdadeiro paraíso aqui na terra, basta entender seu significado e não abandoná-la.

Jung falou muitas vezes da anima e uma delas se pronunciou da seguinte maneira:- “A anima é um fator de maior importância na psicologia do homem, sempre que são mobilizados suas emoções e afetos. Ela intensifica, exagera, falseia e mitologiza todas as relações emocionais com a profissão e pessoas de ambos os sexos. As teias da fantasia a ela subjacentes são obra sua. Quando a anima é constelada mais intensamente ela abranda o caráter do homem, tornando-o excessivamente sensível, irritável, de humor instável, ciumento, vaidoso e desajustado. Ele vive num estado de mal-estar consigo mesmo e o irradia a toda volta. Às vezes, a relação do homem com uma mulher que capturou sua anima revela a existência da síndrome.”

A anima é aquilo que o homem desconhece nele mesmo, se o que ele conhece é seu ego masculino o que desconhece é sua anima, seu feminino, Jung expressa-se, quanto a este aspecto, da seguinte maneira: “O que não é eu, isto é, masculino, é provavelmente feminino; como o não-eu é sentido como não pertencente ao eu, e por isso está fora do eu, a imagem da anima é geralmente projetada em mulheres.”

A primeira mulher a receber esta projeção é a mãe, a influência exercida pelo complexo materno nesta fase decidirá sobre o sucesso ou insucesso na retirada desta projeção. O poder dominante da mãe poderá segurar a anima do filho numa relação infantil.
Jung diz o seguinte: “A figura da anima que conferia à mãe, na ótica do filho, um brilho sobrenatural é desfeita gradualmente pela banalidade cotidiana, voltando para o inconsciente, sem que com isso perca sua tensão originária e instintividade. A partir desse momento ela está pronta a irromper e projetar-se na primeira oportunidade, quando uma figura feminina o impressionar, rompendo a cotidianidade.”

A projeção é um mal necessário, pois somente podemos conhecer nossos conteúdos inconscientes quando projetados no mundo externo de maneira que podemos olhar e ver-nos como num espelho. Naturalmente, a dificuldade reside no reconhecimento de que as características que vemos são nossas, pertencem ao mais íntimo de nós mesmos. Esta dificuldade deverá ser vencida com o decorrer da vida e com a vontade consciente de voltarmos para nós mesmos em busca de respostas às nossas mais profundas dúvidas.

Em se tratando do homem em geral, ou seja, aquele que não apresenta distúrbios sérios identificados dentro da estreiteza da psicopatologia, vamos encontrar aspectos também desastrosos quando possuído pela anima inconsciente. Suas projeções são carregadas de animosidade, e atribui facilmente à mulher, enquanto companheira, suas próprias indisposições e seu mau humor, características de uma anima insatisfeita. A mulher que era uma deusa se transforma em bruxa com a maior facilidade.

Jung salienta que a manifestação do arquétipo da anima se dá de diversas formas, nas experiências amorosas são bastante significativas; “Nas experiências da vida amorosa do homem a psicologia deste arquétipo manifesta-se sob a forma de uma fascinação sem limites, de uma supervalorização e ofuscamento, ou sob a forma da misoginia em todos os seus graus e variantes, que não se explicam de modo algum pela natureza dos “objetos” em questão, mas apenas pela transferência do complexo materno. No entanto, este é criado primeiro pela assimilação da mãe – o que é normal e sempre presente – a parte feminina do arquétipo preexistente de um par de opostos “masculino-feminino” e , secundariamente, por uma demora anormal a destacar-se da imagem primordial da mãe.”

O modo mais visível que temos para observar a projeção da anima é no ato de apaixonar-se, que é valioso para a aproximação dos sexos e com isso dar inicio a um relacionamento, porque somente através do relacionamento com o outro é que conseguimos desenvolver e integrar nossos aspectos inconscientes. O apaixonar-se, para o homem, consiste na projeção de sua anima numa mulher e fascinar-se pelo que vê. Entretanto, o relacionamento do homem com a mulher amada não será melhor do que seu relacionamento com sua própria anima.

O relacionamento entre homem e mulher requer habilidade, disponibilidade, interesse mútuo e muito trabalho, isto tudo implica em amadurecimento de várias instâncias psíquicas inclusive e principalmente, no caso do homem, da anima.
A anima inconsciente prejudica o homem não só nas suas relações amorosas, mas também em outras relações como o trabalho, por exemplo. Não é raro observarmos certos comportamentos em homens de negócios, executivos aparentemente fortes, que sem mais nem menos se sente atacados por estados emocionais que o dominam descaracterizando totalmente sua persona. Seu comportamento torna-se bizarro, e o homem aparentemente forte transforma-se num garoto birrento de palavras fúteis. É o verdadeiro filhinho dominado pela mãe.

Segundo Jung, até a metade da vida, mais ou menos 35 anos, o homem não necessita estar conectado com sua anima, porque deverá estar voltado para o mundo externo procurando atingir objetivos materiais, após a meia idade no entanto, o homem não consegue ter uma vida tranqüila se não se ligar à sua anima, diz ele:- “Depois da metade da vida, no entanto, a perda permanente da anima significa uma diminuição progressiva da vitalidade, flexibilidade e humanidade. Em geral, disso vai resultar uma rigidez prematura, quando não uma esclerose, estereotipia, unilateralidade fanática, obstinação, pedantismo ou seu contrário: resignação, cansaço, desleixo, irresponsabilidade e finalmente um ramolissement infantil, com tendência ao alcoolismo. Depois da metade da vida deveria restabelecer-se, na medida do possível, a conexão com a esfera da vivência arquetípica.”

Na meia idade, quando o homem encontra-se no auge de suas realizações masculinas, ele experimenta com mais intensidade seus complexos e possessões pela anima. Uma depressão, característica desta fase, poderá vir acompanhada de uma voz interna que o acusa de tudo o quanto ele não realizou, aponta seus pontos fracos no que se refere às suas emoções e sentimentos internos. Essa voz, ou este pensamento, diz Sanford, “personifica a anima que se tornou absolutamente amarga e tenebrosa” por ter sido, até então desconsiderada e deixada de lado. Continua Sanford: “Ela é a imagem viva do fracasso do homem ao lidar com o outro lado de sua vida – o lado feminino, o lado espiritual, o lado da alma. Ela se mostra tenebrosa e monstruosa em proporção direta com o sucesso exterior do homem e com a negação interior das coisas da alma.”

Um homem que não consegue expressar seus sentimentos e dar expressão à sua anima, se transformará numa pessoa ressentida e mal humorada. Diz SANFORD: “Um homem que vive sempre evitando encontros de cunho emocional com outras pessoas é dominado pela Mãe. Uma das formas de ele se libertar de seu complexo de Mãe consiste em expressar-se através do relacionamento.”

Quando um homem não expõe seus sentimentos porque tem medo da mulher brigar com ele, está regredindo a um estado anterior infantil, quando sua mãe, muito provavelmente fortemente dominante e manipuladora, mostrava-se zangada e descontente com seu comportamento. O medo que o homem sente é o da rejeição que um dia já foi experimentado através da zanga da mãe. O homem precisa desvencilhar-se do complexo materno, vivenciando-o plenamente pelo relacionamento. Caso contrário, ele será sempre o menino que encolhe os ombros perante uma mulher. O homem precisa ajudar a si próprio, salienta Sanford: “Isto significa que ele tem de descobrir e ajudar o meninozinho que existe dentro dele. Ao reconhecer o seu lado de meninozinho magoado, fica muito menos exposto a se identificar com ele, e pode conservar-se mais como homem que deve ser no relacionamento com a mulher em sua vida.”

Para o homem, um comprometimento no desenlace do complexo materno, inevitavelmente acarretará uma dificuldade no reconhecimento de sua anima e, portanto, dificuldades em relacionar-se com outras pessoas e com ele mesmo. O homem sente-se inseguro, porque não consegue controlar suas emoções, sente-se deprimido e é assolado, constantemente, pelo mau humor, sendo todos esses efeitos característicos de uma anima inconsciente, mal entendida.

Para o reconhecimento da anima e sua conseqüente integração na consciência, o homem em dificuldades, necessita primeiramente livrar-se dos resquícios do um complexo materno mal resolvido. A anima mesmo atuando negativamente poderá abrir caminho para que o homem se liberte do complexo materno, basta para isso dar importância aos seus sentimentos. Uma vez liberto de seu complexo materno, poderá relacionar-se adequadamente com sua anima.

O homem deverá, então, dar ouvidos à sua anima e não evitá-la, deverá vivenciar este estado profundamente e não fugir dele através de subterfúgios como drogas, bebidas, separação da esposa, etc. Estes são artifícios enganosos que não o ajudarão em nada a encontrar o caminho da realização. Se o homem aceitar estas suas indisposições e usar a auto-reflexão, sua anima reconhecida se tornará uma grande aliada no caminho da individuação. Quanto mais ignorados forem os lados negativos das figuras internas, no caso, a anima, mais fortemente eles atuarão provocando resultados indesejáveis.

Uma maneira de que o homem dispõe para manter um primeiro contato com sua anima é reconhecer o problema que lhe afligi como seu mau humor, a insatisfação, suas fantasias, o que significa reconhecer as projeções tornando-as conscientes. A anima inconsciente usa vários recursos para se manifestar e com isso obter atenção, o mais freqüente é encher a cabeça do homem de fantasias sexual-erótica, o homem neste estado, envolve-se num auto-erotismo e passa a interessar-se por filmes, livros revistas pornográficas e outros, demonstrando uma postura infantil perante a sexualidade.

O homem poderá libertar-se de sua anima nociva quando aprende a lidar com os seus sentimentos e expressá-los através do relacionamento com os outros. Sanford diz que: “Desta maneira ele escapa da Mãe e desenvolve seu lado Eros”

A anima, dizia Jung, “é o arquétipo da vida” e um homem sem relacionar-se com o seu mundo interior terá uma vida sem criatividade, sem emoção, poderá até obter grande sucesso, porém ficará sempre insatisfeito, sentindo um vazio interior. A anima, além de mediadora, alerta o homem para a busca de sua verdadeira essência. É a alma do homem e dá a ele ânimo para lutar e coragem para enfrentar os sofrimentos da vida.

O desenvolvimento da anima passa por quatro níveis, segundo observa Jung, que não ocorrem, necessariamente, um após o outro e estão representados simbolicamente da seguinte forma: O primeiro estágio simbolizado na figura de Eva, como mulher primitiva e induz um relacionamento instintivo e biológico; o segundo estágio pode ser representado por Helena de Fausto, ela representa as mulheres também num sentido erótico porém mais ligadas ao romântico e especialmente atraentes; o terceiro estágio fica bem exemplificado pela Virgem Maria que é uma forma espiritualizada e sacralizada da anima e, por último, um estágio em que a anima está simbolizada pela sabedoria e manifesta-se sob a forma de uma mulher divina, pela Sapiência que transcende a santidade. Estes estágios são normalmente observados em sonhos, contos de fadas, mitos e na literatura. Embora o quarto estágio é o estágio ideal do desenvolvimento, os Junguianos concordam que é praticamente impossível de ser alcançado. No entanto, com esforço e dedicação o homem poderá obter um grau de desenvolvimento bastante satisfatório em relação à sua anima.

Uma importante característica gerada no complexo materno é o medo que o homem desenvolve do Feminino e que dificulta consideravelmente o desenvolvimento da anima. Este medo tem origem na primeira fase de diferenciação do ego quando o ego-herói é afugentado pela Mãe Terrível que ao mesmo tempo lança seus tentáculos na tentativa de reter o filho.

Sobre o medo do Feminino, NEUMANN diz: “O medo patológico que a criança tem do feminino, a “bruxa” do verdadeiro complexo materno, faz um contraste com seu medo normal ligado à transição para o desenvolvimento. Esquematicamente, podemos distinguir três formas principais de expressão deste complexo. A primeira é a prisão do ego pela “Mãe”, evitando assim a progressão necessária ao desenvolvimento. A segunda, é que há uma tendência regressiva no ego, isto é, uma perturbação do ego da criança na qual a tendência progressiva não é suficientemente forte ou foi desviada por uma tendência instintiva, regressiva, a sair em busca da fase matriarcal. Em terceiro lugar, porém, pode estar presente uma constelação na qual um desenvolvimento já realizado, progressivo, do ego é destruído.”

O medo do Feminino é visivelmente observado na violência do homem em relação à mulher. Não conseguindo relacionar-se com o seu Feminino interno, sua anima, porque está bloqueada pelo medo enraizado nas entranhas do complexo materno, ataca a mulher como defesa. É o poder em detrimento do amor, porque onde domina o poder não há espaço para o amor.

Outra maneira que o homem tem para expressar seu medo do Feminino é fugindo de seus próprios sentimentos uma vez que eles são vistos como características próprias das mulheres. Agindo assim, afastam-se de sua própria anima ficando alienados dentro deles mesmos. Este pavor do Feminino também é percebido através das críticas que os homens recebem de seus companheiros se demonstrarem fraquezas, muitos são capazes de afastarem-se por medo de verem-se refletidos no medo do amigo.

Outro medo que vem do complexo materno, em relação ao Feminino, é instalado com a ajuda da figura paterna. Embora não tenha sido enfatizada a importância do papel do pai no desenvolvimento infantil, não significa que sua imagem arquetípica e sua presença real sejam menos importantes no desenvolvimento do menino do que o papel da mãe. O pai tem um papel importante em todas as fases de desenvolvimento do menino. Na transição do matriarcado para o patriarcado, por exemplo, desempenhará uma função de equilíbrio para a força poderosa da mãe. Sua postura e suas condições psicológicas, sendo adequadas, poderão servir como incentivo ao crescimento do filho funcionando como uma ponte que ajudará o menino a transcender do mundo da mãe para o mundo do pai. Se, ao contrário, for um pai ausente tanto fisicamente quanto psicologicamente o menino poderá permanecer preso à mãe.

Como vimos, o ego entra em luta contra o dragão para obter sua própria libertação, uma outra luta, no entanto está prevista e se dará para, desta vez, resgatar o Feminino, representado pela anima, que ficou preço à mãe. A anima significa o Feminino enquanto transformação é um novo rumo a um novo destino desconhecido. Tudo o que é novo e transformador é excitante, mas gera medo. O medo que o ego enfrenta desta vez é o medo do Feminino independente. Neumann salienta que este medo do desconhecido é causado pela insegurança do ego que ficou preso ao mundo da mãe, diz ele: “Todas as vezes que o desenvolvimento do ego masculino é perturbado e que ele não alcançou a independência, por exemplo, quando seu ego permaneceu infantil em virtude de uma fixação na mãe e não alcançou a “combatividade” necessária ao ego heróico – cada exigência de “transformação”, cada exigência de desenvolvimento rumo a algo desconhecido e distante de tudo que proporciona segurança, é respondido com medo e na defensiva.”

O pai agora, também tem um papel especial, se for influenciado por um complexo materno, poderá reagir violentamente contra este, demonstrando seu medo terrível do feminino, deixando, assim, de ser um modelo saudável para o filho na sua relação com o feminino. O medo que o menino sente do feminino e que perpetuará por toda sua vida se não analisado, também é responsabilidade do pai, ou seja, de como o pai age em relação ao seu próprio feminino.

A raiva que muitos homens sente de suas mulheres é, em alguns casos, resultado de abuso infantil, no entanto, a maioria das vezes os casos não se ajustam a este perfil, mas aparece como conseqüência de excesso de amor materno e falta de amor paterno. A mãe prende o filho e o pai não o ama suficientemente para ajudá-lo a sair do mundo da mãe. A dor gerada por este sufoco e abandono é profunda e quando adulto, o homem, não consegue voltar para si mesmo com medo de vivenciar novamente esta dor, então sua relação com os outros se torna insuportável porque vê o outro como fonte de sua dor.

O medo do Feminino no homem adulto é provocado pelo complexo materno e também pelo complexo da anima. Se o homem estiver preso a um complexo de anima a solução, apesar de trabalhosa envolve uma camada mais recente da psique, é portanto mais fácil de ser atingida, enquanto que se ele estiver preso a um complexo materno que é mais profundo, a solução será conquistada com muito mais trabalho. Todas as arestas e resquícios do domínio da mãe deverão ser reavaliados se o homem desejar trilhar o caminho da individuação.

Individuar-se é conhecer a si mesmo tão profundamente que todos os seus conteúdos mais escondidos do inconsciente terão oportunidade para se expressarem na consciência. É uma perfeita integração de inconsciente e consciente.

O homem só poderá enveredar-se por este caminho se sua principal guia, a anima, estiver sendo reconhecida, atendida e respeitada.
Se ela estiver deformada, atuando inconscientemente, não conseguirá exercer sua principal função que é iluminar o caminho do mundo interno.

CONCLUSÃO
A mãe e a relação primal é a base do desenvolvimento humano. A qualidade do relacionamento mãe-filho nos primeiros meses de vida determina como aquele pequeno indivíduo vai se conduzir no mundo durante toda sua vida. A segurança, a proteção, a ausência de medo e o vínculo afetivo estabelecido nesta fase farão parte da verdadeira base da existência humana.

Qualquer desordem emocional ou física que venha abalar a base que dá sustentação ao bebê poderá destruir-lhe a capacidade de desenvolvimento fixando-o sob o domínio arquetípico materno.

O complexo materno que remonta a fase mais infantil e primitiva do ego atrapalha ou impede o desenvolvimento integral e a individuação no homem, uma vez que interfere no reconhecimento da anima que é o arquétipo guia do inconsciente.

Quando ativado e inconsciente o complexo materno fixa o homem na mãe e o impede de seguir adiante em busca de sua realização pessoal. Deforma sua visão de mundo e o deixa vivendo somente na superfície do seu eu consciente. Interfere em suas relações com outras pessoas, principalmente do sexo oposto e impede a projeção adequada de sua anima.

A anima quando subdesenvolvida pode levar o homem para longe da realidade, manifesta-se negativamente na sua personalidade fazendo com que se sinta irritado, depressivo e o leve à apatia. Nada para o homem neste estado está bem, a anima faz dele um sentimental, sensível, melindroso. Torna-o um tipo afetado que tudo e a todos critica, falta-lhe autonomia, sente-se impossibilitado de relacionar-se adequadamente com uma parceira e muitas vezes o seu desenvolvimento profissional fica aquém de sua capacidade.

O segredo para o homem que tem dificuldade de relacionamentos tanto externos quanto internos é buscar as raízes, ouvindo sua voz interna e manter com ela um diálogo honesto, ser humilde e reconhecer que está atolado na vida e na mãe.

É impossível eliminar totalmente o complexo materno, porém perderá sua energia na medida em que for vivenciado plenamente e seus componentes forem integrados ao consciente. Ao vivenciar as fantasias e imagens que emergem do complexo, o homem estará construindo uma ponte para o seu inconsciente e dará oportunidade para que sua anima se expresse adequadamente, exercendo sua função de guia.

Embora, ficou demonstrado que a mãe pessoal não deve ser a única responsável pelo desenvolvimento do filho e que o complexo materno não pode ser resolvido reduzindo-o unilateralmente à mãe humana porque, se assim o fosse, estaríamos desconsiderando a existência dos arquétipos, não devemos, no entanto, ignorar que suas atitudes e sentimentos ao lidar com a criança ocupam lugar de destaque. Muitos problemas poderão ser desencadeados a partir do comportamento da mãe independentemente de serem conscientes ou não. Sabemos ser impossível exercermos controle sobre o nosso inconsciente, porém, quanto às atitudes conscientes maternas, estas sim, poderiam ser balizadas e refletidas, com o objetivo de preservar a unidade psicológica do filho. Um filho não deverá ser uma válvula de escape, nem tampouco uma tábua de salvação para mães impedidas de se relacionarem adequadamente com seus parceiros. Deverá ser antes de tudo a oportunidade para que a mãe, enquanto feminino, exerça sua principal função neste mundo que é gerar e fazer crescer nova vida. Se o homem deseja sua evolução deverá reconhecer que o inimigo está dentro dele e não fora. Precisa lutar e desvencilhar-se da dependência dos pais pessoais, senão estará fadado a ver seus relacionamentos externos desmoronarem-se e impossibilitado de contato com o seu mundo interno. Ficará preso para sempre no mundo infantil. O preço mais alto, no entanto, que pagará por não examinar seus medos e não se livrar do complexo materno será o sacrifício de sua própria alma.

A cura do homem ferido pelo complexo materno depende primeiro da observação do efeito do seu complexo materno atuando dentro dele. É preciso coragem, paciência, perseverança e boa vontade para lutar com um mal tão profundo. A humildade e resignação para resgatar as projeções também devem estar presentes e a mais importante de todas as tarefas será o desenvolvimento da capacidade de relacionar-se com sua anima com seu lado feminino que o levará a uma viagem surpreendente pelo inconsciente em busca do encontro com o Si-Mesmo.
Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica - Pós-Graduada e Especialista Junguiana 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Complexo Materno

Quando nos referimos ao termo “Complexo” nos remetemos, invariavelmente, a idéia de que um monstro nos ronda e a qualquer momento poderá nos atacar. Sempre surge como uma conotação psicopatológica. Quando falamos que alguém tem um complexo, preconceituosamente, pensamos que a pessoa tem uma doença, um problema psíquico. No entanto, como já vimos, os complexos não são negativos em si, os seus efeitos é que se apresentam negativamente.

Quando um complexo é constelado indica que está havendo um desequilíbrio na psique e que há uma unilateralidade entre seus componentes bipolares. Neste sentido, os efeitos dos complexos deverão ser vistos como sintomas de que algo vai mal na organização interna do indivíduo ou que há conflito interno.

A constelação de um complexo tira o indivíduo da inércia, apatia e o impulsiona para a atividade. Uma vez que há sofrimento haverá a tendência de sair dele. Se bem resolvido, o conflito poder ser visto positivamente, pois implicará num upgrade da personalidade, um salto qualitativo na vida da pessoa.

Especificamente sobre o complexo materno Helmut Hark diz o seguinte:
“Por complexo materno devem-se entender todos os efeitos psicoenergéticos do arquétipo materno e da imagem materna. Embora esse conceito indique o conjunto de todas as experiências positivas e negativas com a maternidade no sentido transpessoal e com a própria mãe, ele é predominantemente utilizado no contexto psiconeurótico.”

Todo complexo orienta-se através de um núcleo arquetípico, então a base do complexo materno é o arquétipo materno. Segundo Jung, é difícil comprovar se o complexo materno, enquanto distúrbio poderá ocorrer sem a participação causal da mãe. Mas as experiências lhes mostravam que a mãe sempre está presente na origem do distúrbio.

Os efeitos do complexo materno se dão diferentemente no filho e na filha, Jung diz que “No homem, o complexo materno nunca se encontra em estado “puro”, isto é, ele vem sempre misturado ao arquétipo da anima, resultando daí o fato de as afirmações do homem sobre a mãe serem quase sempre emocionais, isto é, preconceituosas impregnadas de “animosidade.”

A diferença de sexo entre mãe e filho, mudará o contexto do complexo materno em relação ao que acontece com a filha. A mãe, para o homem é , além de mãe, o primeiro receptáculo da projeção da sua anima. Assim, salienta Jung, “para o homem a mãe é o tipo de algo estranho, ainda a ser vivenciado e preenchido pelo mundo imagístico do inconsciente latente.”

A mãe, para o homem tem um caráter simbólico cuja idealização se faz presente. Esta idealização resulta de um pensamento mágico, de um desejo de despotencializar a influência de um objeto, no caso o que se teme é a influência do inconsciente. Enquanto a mulher se identifica diretamente com a mãe, o homem identifica-se com o “filho” da Grande Mãe, que na mitologia sempre aparece ao lado dela. Esse filho aparece na maioria dos mitos que apresentam características do Arquétipo da Grande Mãe e significa o “filho-amante”, aquele que ficou preso à mãe e que é devorado ou destruído por ela. Essa mãe-terrível, como já vimos, é um dos aspectos do arquétipo materno.

Na mulher, o complexo materno poderá incentivar exageradamente o instinto materno ou inibi-lo profundamente. No homem, entretanto, haverá uma deformação do instinto masculino por uma sexualização anormal. Jung enfatiza que, “A mãe é o primeiro ser feminino com o qual o futuro homem entra em contato e ela não pode deixar de aludir, direta ou indiretamente, grosseira ou delicadamente, consciente ou inconsciente à masculinidade do filho, tal como este último toma consciência gradual da feminilidade da mãe ou pelo menos responde de forma inconsciente e instintiva a ela. No filho, a simples relação de identidade ou de resistência no tocante à diferenciação são continuadamente atravessados pelos fatores de atração ou repulsa erótica.”

Segundo Jung, os efeitos do complexo materno no filho, poderão redundar nos seguintes distúrbios psíquicos: homossexualismo, donjuanismo, impotência sexual. Neste último, o complexo paterno estará atuando também de maneira negativa. No homossexualismo a heterossexualidade do filho fica presa à mãe de forma inconsciente. No donjuanismo a imagem da mãe é a imagem da mulher perfeita, que não possui defeito e que está sempre de prontidão para atender os desejos do homem. Von Franz refere-se ao sujeito que apresenta este distúrbio da seguinte forma: “Ele procura uma mãe-deusa, portanto, cada vez que se apaixona por uma mulher, mas logo descobre que ela é um ser humano comum. Por ter sido atraído sexualmente por ela, toda a paixão de repente desaparece e ele decepciona-se e a deixa,...” Está sempre procurando a imagem da mãe nas outras mulheres e sempre repete a mesma história.

O Puer Aeternus, que aparece marcadamente no donjuanismo, também é um distúrbio decorrente do complexo materno. Constitui-se num distúrbio bastante importante do complexo materno uma vez que impede o crescimento do indivíduo e seu ajustamento social.

A palavra Puer Aeternus aparece primeiramente nas Metamorfoses de Ovídio para referir-se ao Deus-criança. Na mitologia grega este Deus-criança é identificado, principalmente, com Dionísio e Eros. Hoje, usa-se o termo Puer Aeternus com o significado de “juventude eterna”, mas é também usado para aludir-se àqueles homens que tem um exacerbado complexo materno e que tem como características alguns comportamentos específicos.

Geralmente, o tipo puer é aquele tipo de homem que permanece como adolescente por muito tempo e, às vezes, até em idades avançadas comporta-se caracteristicamente como jovens de 17 anos e nutre uma forte dependência da mãe. São, muitas vezes, arrogantes e possuem dificuldades de adaptação social; sentem-se como indivíduos especiais e, portanto, nada está bom para eles.

Jung salienta, ainda, que mesmo dentro do contexto negativo do puer, existem aspectos positivos: “O que é donjuanismo negativo pode significar uma masculinidade arrojada, uma ambição por metas supremas, em seu aspecto positivo; além de uma violência frente a toda estupidez, obstinação, injustiça e preguiça, uma prontidão para sacrificar-se pelo que reconhece como correto tocando as raias do heroísmo; perseverança, inflexibilidade e tenaz força de vontade; uma curiosidade que não se assusta diante dos enigmas do mundo; e, finalmente, um espírito revolucionário, que constrói uma morada para seus semelhantes ou renova a face do mundo.”

O lado oposto e complementar do puer é o Senex, suas características são de uma persona rígida, envelhecida, extremamente austera e principalmente fechada para novas possibilidades. É o típico rabugento que além de tudo tem problemas, também em relação à integração de sua anima. Em um ego senex, encontraremos um puer atuando na sombra e vice-versa. Qualquer um dos dois pólos unilateralizado se traduz em perigo para o desenvolvimento psíquico. O ideal seria o balanceamento entre os dois. Segundo Hillman, o puer e o senex são aspectos polares de um mesmo arquétipo; o arquétipo Senex-Puer e os termos “senex negativo” e “senex positivo” decorrem da divisão deste arquétipo. Afirma, ele: “Atitudes e comportamento do senex negativo decorrem desse arquétipo dividido, enquanto atitudes e comportamento do senex positivo refletem sua união; de forma que o termo “senex positivo” ou velho sábio referem-se meramente à continuação transformada do puer”.

Como pudemos ver, a constelação de um complexo materno no homem poderá trazer-lhe problemas que, se não observados e trabalhados adequadamente, destruirão a sua vida ou pelo menos atrapalharão de forma impiedosa o seu desenvolvimento e sua maturidade psicológica.

Vanilde Gerolim Portillo - Psicóloga Clínica - Pós-Graduada e Especialista Junguiana - Atende em seu consultório em São Paulo: (11) 2979-3855