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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 32950381

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Câncer


Parar para ouvir e oferecer ajuda são formas de lidar com pessoa com câncer


 Qual você acha que é a pergunta mais comum feita a uma pessoa que tem ou teve câncer? Se pensou: "Como você está?", acertou.
Mas, mesmo que essas palavras pareçam carinhosas, normalmente não ajudam e podem até ser prejudiciais. Em uma comemoração familiar um ano depois do meu tratamento contra o câncer, uma parente distante me perguntou exatamente isso. Respondi: "Estou bem". Ela continuou: "Mas como você está de verdade?"
"De verdade" eu estava bem, disse a ela. Mas e se não estivesse? Será que ia querer começar a desfiar informações médicas ruins no que deveria ser um evento divertido? Será que eu queria ser lembrada que tive um câncer? Embora a parente com certeza tivesse boa intenção, a maneira como ela expressou sua preocupação me pareceu invasiva.
Um diagnóstico de câncer pode dar um nó na língua de amigos e familiares ou levá-los a fazer comentários inapropriados, apesar de bem-intencionados. Algumas pessoas que não sabem o que dizer simplesmente evitam o paciente de câncer por completo, um ato que pode ser mais doloroso do que falar ou fazer algo errado.
Um livro recém-lançado, "Loving, Supporting, and Caring for the Cancer Patient" ("Amar, Apoiar e Cuidar do Paciente de Câncer", em tradução livre), de um homem que foi tratado de um câncer potencialmente fatal e que aconselhou dezenas de outros que lidam com a doença, fez-me pensar sobre as melhores maneiras de falar com a pessoa que precisa encarar o câncer –seu diagnóstico, tratamento e consequências. O autor do livro, Stan Goldberg, é um especialista em comunicação, professor emérito de distúrbios da comunicação na Universidade Estadual de São Francisco.
Aos 57 anos, Goldberg descobriu que tinha um tipo agressivo de câncer de próstata. Ele disse em uma entrevista que os pacientes de câncer muito frequentemente encontram pessoas que assumem o papel de líder da torcida, dizendo coisas como "Não se preocupe", "Você vai ficar bem", "Vamos lutar contra isso juntos", "Eles vão encontrar a cura".
No entanto, "Palavras de otimismo podem funcionar no curto prazo, mas com o tempo acabam levando o paciente a sentir culpa se o câncer for mais virulento e derrotar os esforços da pessoa", afirmou ele.
"Estava lidando com a possibilidade de a minha vida terminar em breve ou, se isso não acontecesse, de ela mudar dramaticamente. O falso otimismo só desvalorizava o que estava se passando com o meu corpo. As pessoas são insensíveis, não por falta de compaixão, mas porque não sabem o que realmente ajuda", afirmou ele.
O que ele e aqueles a quem aconselhou descobriram ser mais útil não eram palavras, mas ações; não fale "Diga-me se eu puder ajudar", que coloca o peso sobre o paciente, mas o "Vou trazer o jantar para sua família nesta semana. Qual o melhor dia para você?".
Como um autodenominado "sujeito independente", relutante a pedir ajuda a qualquer pessoa, Goldberg contou que seu filho lhe ensinou uma lição importante.
"Ele veio a minha casa quando estava me recuperando de uma cirurgia e falou: 'Pare de levantar essas caixas, pai. Faço isso para você'."
Outra autora de livros muito úteis sobre a vida com câncer é a doutora Wendy Schlessel Harpham, que teve um câncer recorrente por mais de duas décadas. Ela explica que as pessoas devem sugerir maneiras específicas de ajudar. Podem, por exemplo, oferecer-se para fazer as compras, cuidar das crianças, levar o cachorro para passear ou acompanhar o paciente ao médico e, claro, cumprir a oferta.
Muitas pessoas hoje usam sites como o caringbridge.org para manter as pessoas atualizadas sobre sua saúde e necessidades ou organizam plataformas como a mealtrain.com ou a lotsahelpinghands.com para pedir uma ajuda específica.
Wendy Harpham diz que chegou a temer a pergunta "Como você está?", porque "não importa a intenção, essa questão mexia com a minha já imensa sensação de vulnerabilidade. "Eu me via consolando as pessoas que perguntavam e depois lutando contra o medo e o sofrimento contagiantes. Mesmo quando a notícia era boa, não tinha energia para incluir todas as pessoas que queriam saber."
Goldberg sugeriu que quando for visitar um paciente de câncer, a pessoa fale menos e ouça mais.
"Muitas vezes, o maior apoio vem de testemunhar silenciosamente o que uma pessoa com câncer está experimentando. Algumas vezes precisamos apenas uma presença calma e alguém ouvindo de modo incondicional. O silêncio se torna o espaço para respirar no qual as pessoas com câncer podem começar conversas difíceis", escreveu ele.
Em um artigo para a revista "Prevention" ("Prevenção", em traduçao livre), Melissa Fiorenza dá uma sugestão útil para o que dizer a alguém com quem você realmente se importa: "Tudo bem chorar comigo ou falar ou não dizer nada. Você é quem manda".
Ao conversar, disse Goldberg, "envolva-se mais nos assuntos e menos em interações com perguntas e respostas". Mas se perguntas forem feitas, elas devem ser abertas, como "Você quer me contar sobre seu câncer e sobre o que está passando? Talvez eu possa encontrar uma maneira de ser útil".
Entre as várias coisas que não devem ser feitas estão:
  • Não chame a atenção para as mudanças físicas do paciente dizendo coisas como "Pelo menos você finalmente perdeu aqueles quilinhos extras".
     
  • Não fale sobre outros pacientes com cânceres similares, mesmo que tenham se curado; dois cânceres não são parecidos. Tudo bem, no entanto, perguntar se o paciente gostaria de conversar com alguém que já passou pela doença.
     
  • Não diga que o paciente tem sorte de sofrer de um tipo de câncer e não de outro, o que minimiza o sofrimento pelo qual a pessoa está passando. Não há nada de sorte em ter câncer, mesmo que seja um câncer "bom".
     
  • Não diga "Eu sei como você se sente", porque você não pode saber. Melhor perguntar: "Você quer falar sobre como está se sentindo, como ter um câncer está afetando você?"
     
  • Não dê informações sobre tratamentos não comprovados ou médicos com credenciais questionáveis.
     
  • Não sugira que o estilo de vida da pessoa é responsável pela doença, mesmo que possa ter contribuído. A culpa não vai ser útil. Muitos fatores influenciam os riscos de câncer; mesmo para quem fumou a vida toda, ter câncer frequentemente é apenas falta de sorte.
     
  • Não pregue que o paciente deve pensar de maneira positiva, o que pode causar sentimentos de culpa se as coisas não correrem bem. Melhor dizer, "Estou do seu lado não importa o que aconteça", e realmente estar.
     
  • Não pergunte sobre o prognóstico. Se o paciente resolver falar sobre isso, não tem problema conversar sobre as implicações. Se não, melhor sufocar sua curiosidade.
     
  • Não sufoque o paciente com seu próprio sentimento de angústia, embora não tenha problema dizer: "Sinto muito que isso tenha acontecido com você". Se você está se achando sobrecarregado com a perspectiva de interagir com uma pessoa com câncer, melhor falar, "Não sei o que dizer", do que não dizer nada ou evitar a pessoa, que pode se sentir abandonada e pensar que você não se importa.